Pessa’h – Guia para Iniciantes (ou para recordar)

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O objetivo desta postagem é servir de referência para quem precisa de ajuda para saber por onde começar a celebração do Pessah (Páscoa Judaica), ou para quem quer um guia para se recordar.

 

Passo 1: Xô, Medo!

A primeira coisa é ter o seguinte em mente: Você está celebrando uma festa para o Eterno. Festas são momentos alegres, descontraídos, e o Eterno deseja que você esteja feliz, e que seja um momento de comemoração. Ele chega a dizer isso literalmente: “Come-o ali perante ETERNO teu Senhor, e alegra-te, tu e a tua casa.” (Dt. 14:26)

Se você irá celebrar pela primeira vez, é absolutamente natural que não saia tudo perfeito. Ou que você não consiga fazer todos os elementos da festividade. Não tenha medo! O Eterno jamais te punirá por isso.

Em Dibrê haYamim Bet (2 Crônicas) capítulo 30, o rei Hizkiyahu (Ezequias) celebrou a festividade com várias coisas tortas. Fizeram fora da época, o povo não se purificou como deveria, mas o Eterno aceitou, porque fizeram o melhor que puderam, com o coração alegre, e o desejo de servir ao Criador.

Passo 2: Ler a Bíblia

Isto posto, é importante ler a Bíblia para compreender o contexto da festividade.

Se você nunca leu sobre a história da escravidão do povo de Israel no Egito, deve começar por Bereshit, isto é, o livro de Gênesis, capítulos 37 até o final, para entender porque o povo de Israel foi parar no Egito. Depois, deve ler Shemot (o livro de Êxodo), capítulos 1 a 11 para entender como Israel veio a ser escravizado, e como o Eterno libertou o povo. Em seguida, deve passar para as leituras específicas da festividade, abaixo indicadas.

Se você já leu o acima indicado, seguem então as referências dos textos específicos da festividade:

  • Shemot (Êxodo) 12:1-51 e 13:3-10
  • Wayiqrá (Levítico) 23:5-8
  • Debarim (Deuteronômio) 16:1-8

Passo 3: As Duas Partes da Comemoração

Antes de tudo, é compreender que existem duas coisas distintas que compõem a celebração.

A primeira delas é a questão da Semana dos Ázimos. Isto é, da semana na qual o povo judeu come apenas pães ázimos. O pão ázimo no hebraico é chamado de massá (ou matsá no hebraico moderno). Nessa semana, evitamos comer massa levedada, que é chamada de hames (ou hamets no hebraico moderno).

O segundo elemento é o jantar festivo, no qual se comemora a saída de Israel do cativeiro do Egito. Esse jantar possui toda uma ritualística, para relembrar os acontecimentos. E costuma ser apelidado de hagadá (narrativa) ou seder (ordem).

Passo 4: Estudando a Semana dos Ázimos

O passo seguinte é estudar o que deve ser feito na Semana dos Ázimos. Você tem duas opções, dependendo de quanto tempo você tem disponível para estudar:

a) Se você tem mais de 2 horas disponíveis para estudar essa primeira parte, ouça a palestra abaixo indicada. Não se preocupe se você não entender tudo de primeira. Lembre-se do passo 1:

Clique aqui para ler e ouvir o estudo completo da Semana dos Ázimos.

b) Se você dispõe de pouco tempo, ou se você já leu e ouviu o estudo anterior, estude o resumo que ensina sobre a semana dos ázimos em apenas 2 páginas:

Clique aqui para ler o resumo da Semana dos Ázimos.

Passo 5: Estudando sobre o Jantar de Pessah

O próximo passo é estudar sobre como fazer o cerimonial do jantar de Pessah. Novamente, há duas opções de acordo com o tempo que você tem disponível para estudar:

a) Se você tem mais de 2 horas disponíveis para estudar essa segunda parte, ouça a palestra abaixo indicada. Novamente, não se preocupe se você não conseguir entender ou acertar tudo da primeira vez:

Clique aqui para ler e ouvir o estudo completo do jantar de Pessah

b) Se o tempo for curto, estude o resumo abaixo, que ensina sobre o jantar em apenas 3 páginas:

Clique aqui para ler o resumo sobre o jantar de Pessah 

Passo 6: Ler a Hagadá

Agora que você já está razoavelmente familiarizado com os conceitos, é hora de baixar a Hagadá, que servirá de roteiro para o jantar. O texto da Hagadá foi feito para ser o mais intuitivo e auto-explicativo possível, para que tanto iniciantes quanto pessoas experientes consigam fazer.

Ainda assim, é recomendável que você leia, e se possível até tente treinar, a Hagadá, para que possa fazê-la da melhor forma.

Clique aqui para baixar a Hagadá.

Passo 7: Tradição x Lei Judaica

É importante compreender o seguinte: A lei judaica estabeleceu um mínimo de elementos que são necessários para se fazer uma boa celebração.

Porém, grupos de judeus de diversas regiões também criaram seus próprios costumes e tradições, que envolvem desde pratos típicos, canções e até mesmo elementos rituais adicionais.

Esses elementos adicionais são opcionais. Você pode fazê-los, ou não. Mas, antes de buscar acrescentar tradições, certifique-se de que você está bem familiarizado com a lei judaica, que estabelece esse mínimo que é comum a todos os judeus.

Passo 8: Providencie os Ingredientes

Certifique-se de que você tem todos os ingredientes para poder realizar o jantar. Você precisará de:

  • 1 porção de massá (pão ázimo). O ideal é ter 3 pedaços por participante.
  • Pelo menos 300ml de suco de uva ou vinho por participante.
  • 1 vegetal de folha verde por participante.
  • 2 porções de erva amarga por participante. (Vide resumo do jantar para sugestão de algumas opções)
  • 2 pratos apetitosos de carne. (Vegetarianos e veganos podem substituir por um prato de sua escolha, desde que seja algo deleitoso)
  • Harosset, que é uma pasta doce escura feita com frutas (Vide estudo do jantar para explicação). Existem várias boas receitas na Internet. Algumas bastante simples de fazer. Escolha a de sua preferência.
  • Opcional: Castanhas e frutas secas, para servir de aperitivo.

 Se você não conseguir fazer tudo da primeira vez, não sofra com isso! Faça o seu melhor, e procure se preparar para fazer ainda melhor no ano seguinte.

Passo 9: Anote as Datas

Lembre-se que o calendário judaico tem os dias começando ao crepúsculo. O Shabat, por exemplo, começa na noite de sexta e vai até a noite de sábado.

Sendo assim, anote as datas da Festividade para este ano de 2016:

  • Quinta à noite (21/04/2016): Procura e limpeza da massa levedada (hames)
  • Sexta de manhã (22/04/2016): Última refeição com massa levedada (hames).
  • Sexta à noite (23/04/2016): Jantar de Pessah e recitação da Hagadá.
  • Sábado à noite (24/04/2016): Segundo jantar de Pessah e recitação da Hagadá. Início de dia festivo (yom tob) no qual se evita trabalhar.
  • Domingo à noite (25/04/2016): Fim do dia festivo (yom tob).
  • Quintà noite (28/04/2016): Início de dia festivo (yom tob) no qual se evita trabalhar.
  • Sábado à noite (30/04/2016): Fim da Semana dos Ázimos.

Maiores informações nos estudos correspondentes, e também no calendário do nosso site.

Passo 10: Mandamentos Independentes

Quando não consegue fazer uma, duas ou mesmo três coisas que são realizadas nessa festividade, muitos caem no erro de desistir e não fazer nada.

Porém, é importante entender que cada um dos aspectos da celebração é um mandamento independente. Mesmo que não consiga fazer uma coisa, não desista de fazer o restante!

Até mesmo a lei judaica prevê algumas sugestões do que pode ser feito quando a pessoa não consegue fazer tudo.

Lembre-se: Nós estamos na Diáspora, sem Templo, nem sacerdócio ativo. Por mais estrito que se seja, ninguém consegue fazer tudo, ou cumprir todos os mandamentos dessa festividade.

Lembre-se da história de Hizkiyahu (Ezequias) e faça, alegre e de coração sincero, tudo o que estiver ao seu alcance. E não sofra com o que não der para fazer, pois essa deve ser uma época alegre e festiva.

Minha avó, de abençoada memória, costumava dizer: O bom é inimigo do ótimo!

Não deixe que sua obsessão por acertar cada detalhe estrague a alegria da festividade. Fazendo o nosso melhor perante o Eterno é o principal. O restante se acerta com o tempo!

Passo 11: Tire suas dúvidas!

Não tenha medo nem se sinta constrangido de tirar suas dúvidas sobre a festividade. Lembre-se: Todo mundo já começou um dia.

Só não tem dúvida quem não tenta fazer!

Até pessoas com anos de experiência às vezes se atrapalham e precisam revisar a forma de fazer. Afinal, não é algo que é feito todos os dias.

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